Sou feliz contigo
porque o amor não me pede máscaras,
me pede casa.
Sou feliz porque me cuidas
sem me prender,
me amas sem me moldar,
me respeitas como quem sabe
que a alma tem portas e janelas.
Sou feliz porque me queres,
e o teu querer não é pressa:
é pão quente, é água limpa,
é o silêncio que descansa os ombros.
Ao teu lado, o cotidiano é milagre:
o café acerta o ponto,
as horas não me caem pesadas,
e a vida aprende bons modos.
Completas o que em mim era dobra,
não com recorte, mas com abraço;
onde eu era pedra, viras jardim,
onde eu era ruído, viras música
— e me fazes dançar sem que eu perceba.
Fico inteiro no teu riso,
mais corajoso na tua calma,
mais verdadeiro no teu colo
que não promete eternidades,
mas cumpre o agora com elegância.
Sou feliz também porque te vejo humana —
porque te permites fraquezas,
te refazes do pranto sem disfarce,
e me ensinas que o amor não é muralha,
é refúgio.
Que ser forte não é nunca cair,
mas saber reerguer-se com ternura.
Ao teu lado eu desaprendo o medo:
aceito minhas falhas
como quem aceita a chuva,
sabendo que depois dela
o mundo respira melhor.
Sou feliz porque tudo em ti
me devolve à minha melhor versão:
a tua presença que acalma,
a tua voz que me encontra,
o teu jeito de me fazer ser
quem eu sempre quis ser —
sem esforço, sem medida,
apenas por me amar assim.
Sei que é amor
porque me torna simples:
quero pouco e encontro tudo
quando te encontro.
E se um dia me perguntarem
o segredo da felicidade,
direi teu nome baixinho,
como quem beija a própria sorte,
e irei contigo —
não para onde,
mas para sempre.