Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

 

No jardim que o tempo esqueceu,

um broto nasceu da ternura.

Era frágil, mas dizia ao vento:

“não temo o sol, nasci pra sentir.”

 

Reguei-a com o que havia em mim:

um silêncio cheio de canções,

um riso cansado de espera,

um coração que acreditava em raízes.

 

Ela cresceu sob meus olhos,

soberba e doce como promessa.

E eu, tolo alquimista do afeto,

achei que o amor bastava pra nutrir a eternidade.

 

Mas o amor, quando é flor,

tem sua hora de se inclinar.

Não morre: se entrega ao próprio peso

de tanto existir.

 

Um dia percebi ,

não era falta de água,

nem sombra, nem sol.

Era o tempo que pedia

um outro ritmo,

um novo sopro.

 

A flor que tanto amei

desabrochou para o mundo,

e o mundo a acolheu.

Mas parte dela, invisível,

ficou comigo,

no ar que respiro,

no som do vento,

no gesto de regar o nada.

 

Volto ao jardim todos os dias,

como quem ora sem palavras.

O caule seco ainda guarda

a lembrança do perfume,

e às vezes, nas manhãs silenciosas,

julgo ver um brilho entre as folhas,

talvez lembrança, talvez retorno.

 

Não há fim.

Há apenas a espera mansa

de quem ainda crê

que o amor floresce

onde o coração permanece.

 

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 30/10/2026
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