Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Quando a noite encosta a testa na janela

e o cansaço vem cobrar o dia inteiro,

basta ver teu rosto aceso à luz amarela

para o mundo perder o tom severo.

Teu abraço tem licença de chegada,

me desmonta a gravata e a resistência;

e a rotina, tão cansada e mal-humorada,

vira festa sem pedir antecedência.

Há café, roupa espalhada e algum atraso,

uma conta esquecida sobre a mesa;

mas teu beijo, quando invade o meu espaço,

faz do caos uma espécie de beleza.

Você ri quando eu reclamo do teu jeito

de roubar cobertor durante a noite;

eu protesto, por orgulho e por direito,

mas me achego antes que o frio volte.

E assim vamos, entre contas e desejos,

inventando eternidade no comum:

há amores que se explicam com lampejos,

o nosso incendeia dois e os torna um.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 29/10/2026
Alterado em 29/10/2026
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