Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Amor Queimando Silêncios

 

Há amores que apenas tocam; o meu, move o chão.

Faz tremer o trovão como se o céu inteiro tremesse de ciúme.

Ignora as fronteiras da razão, rasga o mapa da prudência

e se oferece, nu e ardente, na palma da mão.

 

É por ti que este fogo me habita,

sem aplausos, sem plateia, sem perdão.

Um amor de sol sem filtro, de corpo sem defesa,

amor que o tempo bronzeia e o destino chama de insensatez.

Tu o chamas de bandido,

porque não cabe nos bons costumes da ternura,

mas ele é apenas o avesso do medo,

a coragem de amar mesmo sendo ferido.

 

Febril, este amor me incendiou por dentro.

Queimou meus nomes, meus planos e minha calma,

até que só restasse o coração, este redemoinho indócil.

Afoguei-me no mar de mim,

em lágrimas que não pedem socorro,

mas purificação.

 

E se pareço calado, é porque o grito já virou oceano.

Não há palavra que traduza o que arde em silêncio.

É um amor que não quer ser compreendido,

pois vive do mistério que o alimenta.

É vasto, rebelde, e me usa como templo.

 

Tu o vês como desordem; eu o vivo como fé.

Ele me faz vibrar, morrer e renascer

na mesma respiração que te pronuncia.

É o amor que devolve sentido à vida vazia,

o vinho que embriaga o nada.

 

E quando me chamas de louco, eu sorrio.

Pois amar-te é, de fato, loucura lúcida,

o delírio mais são que já existiu.

 

Por isso, ajoelho-me não em súplica,

mas em revelação:

se sou crime, és cúmplice;

se sou fogo, és o ar.

E entre o inferno e o paraíso do teu nome,

meu amor continua a ser,

a chama que nunca pede perdão por existir.

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 24/10/2026
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