Amor Queimando Silêncios
Há amores que apenas tocam; o meu, move o chão.
Faz tremer o trovão como se o céu inteiro tremesse de ciúme.
Ignora as fronteiras da razão, rasga o mapa da prudência
e se oferece, nu e ardente, na palma da mão.
É por ti que este fogo me habita,
sem aplausos, sem plateia, sem perdão.
Um amor de sol sem filtro, de corpo sem defesa,
amor que o tempo bronzeia e o destino chama de insensatez.
Tu o chamas de bandido,
porque não cabe nos bons costumes da ternura,
mas ele é apenas o avesso do medo,
a coragem de amar mesmo sendo ferido.
Febril, este amor me incendiou por dentro.
Queimou meus nomes, meus planos e minha calma,
até que só restasse o coração, este redemoinho indócil.
Afoguei-me no mar de mim,
em lágrimas que não pedem socorro,
mas purificação.
E se pareço calado, é porque o grito já virou oceano.
Não há palavra que traduza o que arde em silêncio.
É um amor que não quer ser compreendido,
pois vive do mistério que o alimenta.
É vasto, rebelde, e me usa como templo.
Tu o vês como desordem; eu o vivo como fé.
Ele me faz vibrar, morrer e renascer
na mesma respiração que te pronuncia.
É o amor que devolve sentido à vida vazia,
o vinho que embriaga o nada.
E quando me chamas de louco, eu sorrio.
Pois amar-te é, de fato, loucura lúcida,
o delírio mais são que já existiu.
Por isso, ajoelho-me não em súplica,
mas em revelação:
se sou crime, és cúmplice;
se sou fogo, és o ar.
E entre o inferno e o paraíso do teu nome,
meu amor continua a ser,
a chama que nunca pede perdão por existir.