Na breve estrada que chamamos vida,
há sempre encruzilhadas que se erguem
como espelhos do próprio ser.
Nenhum caminho é leve,
e o vento que empurra às vezes engana,
pois quem não escolhe, já escolheu ser levado.
Querer é natural — é semente de avanço —
mas o querer sem medida é veneno.
Ambição constrói pontes,
ganância queima as margens.
Antes do passo, três vozes perguntam:
Quero? Devo? Posso?
E é da harmonia entre elas
que nasce o chão seguro.
Os que ignoram tais vozes
fazem do mundo seu espelho cego,
buscam tudo, tomam tudo,
sem notar o rastro de cinzas que deixam.
Chamam liberdade o próprio capricho,
e não percebem que o querer,
quando não consulta a ética,
é apenas ego vestido de desejo.
O fogo das escolhas
é o mesmo que aquece e destrói:
uma centelha pode iluminar um lar,
ou incendiar uma floresta.
A cada decisão,
o universo escreve em silêncio:
a escolha é tua,
mas as consequências não viajam sozinhas.
E no fim do caminho,
não há seguro contra o arrependimento.
Há apenas a verdade nua:
quem escolheu, quis;
e quem quis, responderá.