Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Não chegamos cedo um ao outro.

Chegamos quando já sabíamos que intensidade não se mede pela pressa.

Cada um trazia uma vida inteira,

e ainda assim havia espaço para uma terceira começar.

Eu sabia: ninguém deveria chegar incompleto ao amor; contigo aprendi que amar ainda pode nos ampliar.

Já havia feito as pazes com o que não aconteceu; em nós descobri um futuro sem contas com o passado.

Não queria promessas maiores que a própria vida; quis uma verdade grande o bastante para atravessá-la.

Escolhi-te sem a febre de quem teme perder; fiquei com a calma de quem encontrou onde crescer.

Quero teu riso quando o mundo exagerar sua importância; quero tua lucidez quando o amor ensaiar algum drama.

Quero desejar-te depois de conhecer teus hábitos; quero surpresa até no gesto que eu souber de cor.

Quero que os anos nos mudem sem pedir licença; quero que a intimidade jamais nos dê por concluídos.

Se a memória um dia começar a apagar detalhes; que o corpo guarde o que o tempo não soube levar.

Deixarei sempre alguma coisa por fazer contigo; guardarei ao menos um amanhã ainda sem destino.

Agora entendo o paradoxo que antes me escapava: amar-te é querer o amanhã sem apressar o fim de hoje.

Não quero vencer o tempo.

Quero apenas que, quando ele vier nos procurar,

ainda encontre alguma coisa nossa

marcada para amanhã.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 02/09/2026
Alterado em 02/09/2026
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