Ando com o saco cheio
e a vida meio vazia.
Curiosa engenharia:
tenho compromissos demais,
problemas suficientes
para abrir uma filial
e opiniões alheias
em estoque permanente.
O que falta
é você.
E você faz falta
com uma competência irritante.
Ocupa a cadeira,
a música,
o silêncio
e até o telefone
que eu finjo não olhar.
Saudade é isso:
alguém vai embora
e deixa a ausência
responsável pelo imóvel.
Ela não paga aluguel,
mas ocupa tudo.
No fim,
entre tantas coisas
das quais já tive o bastante,
você continua sendo
a única
de que eu aceitaria
um pouco mais.