Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Não me feriu tanto

o que disseram de mim.

Palavras alheias, no fundo,

costumam vestir a roupa

de quem as pronuncia.

O que doeu foi o espaço.

A sala aberta.

A cadeira puxada.

O silêncio fazendo vista grossa

enquanto alguém se sentia confortável

para diminuir meu nome

diante de quem dizia me querer bem.

Porque há traições

que não levantam a voz.

Apenas ficam quietas

no momento exato

em que deveriam ter sido presença.

E eu aprendi.

Quem permite que me apaguem

em sua frente

também escolhe, ainda que em silêncio,

um lugar nessa sombra.

Hoje já não discuto

com quem me defende pela metade.

A vida é curta demais

para mendigar lealdade

em mesas onde minha ausência

vira assunto permitido.

Eu sigo.

Com menos gente ao redor, talvez.

Mas com mais verdade perto.

Porque maturidade também é isso:

entender que nem toda perda é abandono.

Às vezes,

é só a dignidade

fechando a porta

para quem nunca soube

ficar do meu lado

com a luz acesa.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 04/08/2026
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