Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links
Textos

 

Há noites em que o frio parece antigo demais,

como se viesse de outras encarnações da solidão.

Então acendo a lareira, e não apenas fogo,

mas portais que dançam no idioma secreto das brasas.

 

As salamandras acordam sob o ferro,

deslizam entre lenhas como preces de luz.

Sussurram segredos em faíscas breves,

falando daquilo que o tempo não apaga,

mas transforma em centelha.

 

Queimo ali o sonho impossível

teus olhos, tua ausência, teu nome que arde sem som.

O ar se curva. O fogo respira.

E das chamas mais altas algo se move:

uma ave feita de lembrança e aurora,

erguendo-se do pó das minhas esperanças.

 

A Fênix, senhora dos amores findos

bebe o brilho do que fui,

traz no bico o ouro dos recomeços.

E quando abre as asas sobre a sala,

as salamandras se ajoelham no crepitar da lenha.

Não sei se é o fim do amor ou seu disfarce.

 

A chama cresce até tocar o teto da alma.

E o impossível, antes dor, torna-se promessa:

um amor novo, vindo das cinzas do que era sagrado.

O frio se recolhe, vencido.

E o coração, por um instante, acredita de novo

que amar é acender-se

e morrer

e renascer.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 04/08/2026
Alterado em 04/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links