Não é que eu não te toque.
É que algo em mim ainda tenta
retardar o que já começou.
O calor vem de baixo,
sobe sem pedir acordo,
instala-se como certeza antiga,
dessas que o corpo reconhece
antes de qualquer explicação.
Não te aprendi com os olhos,
te aprendi com o pulso.
Quando penso em ti,
não penso — respondo.
A carne entende o chamado
e se inclina,
como se a espera tivesse sido
apenas uma forma lenta
de aproximação.
Não há escolha,
há condução.
O desejo não pergunta,
não negocia,
não aceita adiamentos longos demais.
Ele apenas avança
até que a distância perca sentido.
O amor que vem
não se oferece com cuidado.
Ele toma, ocupa, permanece.
É inteiro demais para caber
na ideia de futuro.
E se ainda não te alcancei,
é porque o corpo, agora,
segue avançando por dentro,
sem recuo possível,
sabendo que o próximo passo
já não depende de mim.