Foi pelas palavras.
Não pelas promessas.
As palavras apenas abriram
uma janela.
Quem entrou
fui eu.
E, quando finalmente
aprendi a morar em mim,
descobri
que amar você
já não era uma necessidade.
Era uma abundância.
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Li tantas palavras
que um dia
elas deixaram de morar no papel.
Mudaram-se para dentro de mim.
Foi ali
que nasceu o primeiro amor.
O segundo
apenas encontrou
a casa pronta.
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As palavras
não me ensinaram
a amar você.
Ensinaram-me
a voltar para mim.
E quem regressa inteiro
já não oferece metades.
Oferece presença.
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Há livros
que nos fazem pensar.
Outros,
que nos fazem chorar.
Os mais raros
fazem algo muito mais perigoso:
ensinam-nos
a gostar da própria companhia.
Depois disso,
amar alguém
deixa de ser um pedido.
Torna-se um presente.
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Primeiro
apaixonei-me pelas palavras.
Depois,
pela pessoa
que elas despertavam em mim.
Só muito mais tarde
percebi
que estava pronto
para amar você
sem precisar
deixar de ser eu.
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O amor verdadeiro
talvez siga sempre
a mesma ordem.
Primeiro,
uma palavra.
Depois,
um silêncio.
Em seguida,
um reencontro consigo.
Só então
o coração aprende
que amar o outro
não é partir de si,
mas partir
de si mesmo.
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Você chegou
quando eu já conversava
com minhas próprias manhãs.
Não veio
preencher vazios.
Veio caminhar
ao lado
de um jardim
que as palavras
já haviam ensinado
a florescer.
E talvez seja isso
o amor adulto:
não duas faltas
procurando abrigo,
mas duas abundâncias
descobrindo
que também podem
florescer juntas.
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As palavras
foram apenas a centelha.
O incêndio
aconteceu em mim.
Quando finalmente
aprendi a iluminar
meu próprio caminho,
descobri
que amar você
era apenas
a forma mais bonita
de compartilhar
a luz.