Sorriso Galáctico
Ela vinha com cabelos cacheados,
como se a noite tivesse aprendido
a fazer curvas.
Batom vermelho,
não desses que pedem licença,
mas dos que chegam antes dela
e dizem ao mundo:
“prepare-se, hoje há risco de poesia”.
Tinha um sorriso galáctico,
desses que acendem estrelas
em lugares onde a alma
já tinha economizado luz.
Não era exagerada.
Era perigosa em silêncio.
Passava como quem não sabe
que deixa pequenos acidentes cósmicos
no peito dos distraídos.
E eu, coração cansado,
com pouca bateria emocional
e nenhuma garantia de fábrica,
olhei para ela
e pensei:
há sonhos que não dormem no céu.
Às vezes,
eles encarnam,
pintam a boca de vermelho,
fazem cachos com a eternidade
e aparecem na nossa frente
só para provar
que o universo também sabe
fazer charme.