A Dama e o Homem Sem Brasão
Ela passava como quem sabe
que o mundo abre caminho
quando a beleza aprende a caminhar.
Tinha perfume de coisa rara,
gestos de porcelana,
olhos que pareciam dizer:
“não me conquiste com pressa,
nem me toque com promessas baratas.”
Ele, não.
Ele vinha de ruas mais simples,
de sapatos gastos,
de noites sem plateia,
de uma vida que nunca lhe ensinou
a entrar pelos salões da frente.
Não tinha nome importante,
nem títulos pendurados na parede,
nem aquela segurança dos homens
que já nasceram com a mesa posta.
Tinha apenas o coração,
e o defeito grave
de usá-lo inteiro.
Ela sabia da distância.
Ele também.
Entre os dois havia
o tamanho invisível das classes,
das histórias,
das roupas certas,
das palavras bem escolhidas,
dos lugares onde ele talvez
não soubesse nem onde pôr as mãos.
Mas ainda assim,
quando ela sorria,
ele esquecia sua condição.
Não porque se achasse à altura dela.
Talvez nunca se achasse.
Mas porque há mulheres
que fazem um homem pobre de mundo
sentir-se milionário de coragem.
Ela queria ser conquistada,
mas dificultava o caminho
com elegância quase criminosa.
Dava um sinal,
depois recolhia a luz.
Oferecia um olhar,
depois fechava a cortina.
Deixava no ar uma esperança
e, quando ele chegava perto,
fingia que era só vento.
E ele ria por dentro,
meio ferido, meio encantado,
pensando que amar aquela mulher
era como tentar jantar em restaurante fino
com moedas no bolso
e poesia no prato.
Mas não desistia.
Porque ele não queria comprá-la,
nem vencê-la,
nem convencê-la com discursos ensaiados.
Queria apenas que ela percebesse
que, por trás da roupa simples,
havia um homem capaz
de cuidar do que admirava.
E talvez fosse essa
a ousadia mais bonita:
ele sabia que era pouco
diante dela,
mas amava como se pudesse oferecer
o impossível.
Ela, dama difícil,
talvez ainda fingisse não ver.
Mas seu coração,
esse traidor de luvas brancas,
já havia descido a escada
antes do orgulho.
E quando enfim ela olhou para ele
sem medir a distância,
viu que nem todo homem sem brasão
chega de mãos vazias.
Alguns trazem pouco.
Mas trazem tudo.
Ela passava como quem sabe
que o mundo abre caminho
quando a beleza aprende a caminhar.
Tinha perfume de coisa rara,
gestos de porcelana,
olhos que pareciam dizer:
“não me conquiste com pressa,
nem me toque com promessas baratas.”
Ele, não.
Ele vinha de ruas mais simples,
de sapatos gastos,
de noites sem plateia,
de uma vida que nunca lhe ensinou
a entrar pelos salões da frente.
Não tinha nome importante,
nem títulos pendurados na parede,
nem aquela segurança dos homens
que já nasceram com a mesa posta.
Tinha apenas o coração,
e o defeito grave
de usá-lo inteiro.
Ela sabia da distância.
Ele também.
Entre os dois havia
o tamanho invisível das classes,
das histórias,
das roupas certas,
das palavras bem escolhidas,
dos lugares onde ele talvez
não soubesse nem onde pôr as mãos.
Mas ainda assim,
quando ela sorria,
ele esquecia sua condição.
Não porque se achasse à altura dela.
Talvez nunca se achasse.
Mas porque há mulheres
que fazem um homem pobre de mundo
sentir-se milionário de coragem.
Ela queria ser conquistada,
mas dificultava o caminho
com elegância quase criminosa.
Dava um sinal,
depois recolhia a luz.
Oferecia um olhar,
depois fechava a cortina.
Deixava no ar uma esperança
e, quando ele chegava perto,
fingia que era só vento.
E ele ria por dentro,
meio ferido, meio encantado,
pensando que amar aquela mulher
era como tentar jantar em restaurante fino
com moedas no bolso
e poesia no prato.
Mas não desistia.
Porque ele não queria comprá-la,
nem vencê-la,
nem convencê-la com discursos ensaiados.
Queria apenas que ela percebesse
que, por trás da roupa simples,
havia um homem capaz
de cuidar do que admirava.
E talvez fosse essa
a ousadia mais bonita:
ele sabia que era pouco
diante dela,
mas amava como se pudesse oferecer
o impossível.
Ela, dama difícil,
talvez ainda fingisse não ver.
Mas seu coração,
esse traidor de luvas brancas,
já havia descido a escada
antes do orgulho.
E quando enfim ela olhou para ele
sem medir a distância,
viu que nem todo homem sem brasão
chega de mãos vazias.
Alguns trazem pouco.
Mas trazem tudo.