Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Círculo

 

Perdoa-me

por ainda amar o que já não é amor,

por visitar o mesmo jardim seco

esperando uma flor que não existe.

 

Não sei romper o fio invisível

que nos prende além do gesto,

nem libertar o eco

que insiste em me chamar pelo teu silêncio.

 

Há noites em que penso

que morrer seria apenas descansar

dessa volta constante ao mesmo ponto:

esse círculo onde o coração, cansado,

anda, anda — e nunca chega.

 

Mas não te peço volta,

peço passagem.

Deixa-me ir, mesmo que devagar,

mesmo que ainda te olhe

pelas frestas do que fui.

 

Porque o amor que não se desfaz

também aprisiona,

e o perdão que peço

é o direito de respirar sem ti,

de ser lembrança,

sem continuar sendo ferida.

 

Se algum dia o vento tocar teu rosto

e te parecer que algo partiu,

não chores:

é só o que restava de mim

enfim aprendendo a partir.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 27/07/2026
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