Naquela noite,
eu já não esperava nenhuma beleza.
A mesa, o bar,
as luzes fazendo apenas o seu trabalho,
e em mim
esse cansaço elegante
de quem já tinha desistido sem alarde.
Então teu olhar
ou talvez só a hipótese dele
tocou o meu.
E foi o bastante.
Desde então,
há noites que terminam.
Aquela não.
Aquela segue em mim,
vertida devagar
na taça da memória,
me embriagando a mente
e fazendo do coração
essa coisa imprudente
que ainda explode
quando te lembra.