No outono, eu te amaria com a calma das folhas
que caem sem fazer escândalo,
como quem entende que até perder altura
pode ser um jeito elegante de dançar.
No inverno, eu te guardaria no bolso esquerdo do peito,
junto das coisas absurdas e necessárias:
um bilhete sem endereço,
duas luvas desencontradas,
e aquela coragem antiga de esperar o sol
sem processar o céu por atraso.
Na primavera, teu nome brotaria onde eu menos planejei:
entre a chave de casa e o café frio,
no susto amarelo de uma flor pequena,
naquela gaveta onde a vida esconde
os milagres que ainda não sabe explicar.
E no verão…
ah, no verão eu perderia completamente a pose.
Te amaria com sede, riso e sol nos dedos,
como se o mundo fosse uma varanda aberta
e Deus tivesse deixado o vento ligado
só para bagunçar teu cabelo
na direção exata do meu destino.