Passei metade da vida tentando entender o sentido de tudo,
como se o universo tivesse deixado um manual
em alguma gaveta.
Procurei respostas em livros, silêncios, mapas
e pessoas que falavam com tanta certeza
que quase pareciam saber.
Quase.
Até descobrir que o “tudo” também improvisa,
tropeça nos próprios planos
e chama coincidência de destino.
Desde então, vivo com um pouco mais de calma:
se o universo gira há bilhões de anos
sem explicar aonde vai,
não sou eu que vou me culpar
por ter errado a saída.
Faço o que posso,
mudo o que consigo
e finjo elegância
quando a vida desmonta o cenário.
No fim, talvez amadurecer seja apenas isto:
parar de exigir respostas perfeitas
de uma existência
que claramente trabalha com rascunhos.