Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links
Textos

Disseram que o tempo passa.

Mentira.

Às vezes,

é a gente que passa por ele

e deixa para trás

um nome antigo,

uma chave que já não abre nada,

um modo de caber

que ficou pequeno.

Mudei tanto

que minhas lembranças

precisaram se apresentar de novo.

Algumas eu reconheci pela voz.

Outras,

pelo estrago.

Abri gavetas dentro de mim

e encontrei países

que nenhum mapa teve coragem

de desenhar.

Havia desertos

com sede de chuva,

cidades inteiras

esperando um habitante,

e uma janela acesa

no fim de uma rua

onde eu nunca tinha estado.

Era eu,

me esperando.

Cheguei sem mala,

sem documento,

sem saber dizer

há quanto tempo estava longe.

Então o amor apareceu.

Não veio com flores,

nem com música,

nem com a pontualidade

dos finais felizes.

Veio cansado,

carregando caixas,

perguntando onde podia deixar

as coisas.

Eu apontei para o peito.

Ele entrou,

abriu as janelas,

tirou o pó dos móveis

e colocou meu nome

na porta.

Desde então,

quando alguém pergunta

onde moro,

eu respondo:

finalmente,

em mim.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 19/07/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links