Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links
Textos

 

 

Há tempos medito sobre a tristeza,

essa visita antiga

que entra vestida de profundidade

e às vezes só quer sentar

no mesmo banco da alegria.

 

Hoje, porém, tive uma surpresa:

talvez uma e outra

não sejam países diferentes,

mas margens do mesmo rio raso,

oscilando no velho teatro da alma.

 

A alegria sobe.

A tristeza desce.

E nós, no meio,

chamamos de destino

aquilo que ainda é pêndulo.

 

Muito prazer, instabilidade.

Meu nome é humano.

Mas não vim para morar

no andar térreo da emoção.

 

Há um ponto

em que o sentir precisa deixar de girar

em torno da própria ferida.

 

Há um ponto

em que a alma se cansa

de alternar luz e sombra

como quem troca de roupa

para continuar no mesmo quarto.

 

Então acelera.

 

Sobe a energia.

Afina o corpo.

Solta o peso.

Reconhece o caminho antigo

de volta ao espírito.

 

E quando a tristeza já não governa,

e a alegria já não embriaga,

resta outra coisa:

mais alta,

mais limpa,

mais quieta.

 

A luz.

 

Talvez seja isso

o fim de um ciclo.

 

Não o fim da vida,

mas o fim de doze vidas

tentando aprender

que a paz não é o contrário da dor.

 

É o lugar

onde a dor finalmente

perde o cargo.

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 15/07/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links