Há tempos medito sobre a tristeza,
essa visita antiga
que entra vestida de profundidade
e às vezes só quer sentar
no mesmo banco da alegria.
Hoje, porém, tive uma surpresa:
talvez uma e outra
não sejam países diferentes,
mas margens do mesmo rio raso,
oscilando no velho teatro da alma.
A alegria sobe.
A tristeza desce.
E nós, no meio,
chamamos de destino
aquilo que ainda é pêndulo.
Muito prazer, instabilidade.
Meu nome é humano.
Mas não vim para morar
no andar térreo da emoção.
Há um ponto
em que o sentir precisa deixar de girar
em torno da própria ferida.
Há um ponto
em que a alma se cansa
de alternar luz e sombra
como quem troca de roupa
para continuar no mesmo quarto.
Então acelera.
Sobe a energia.
Afina o corpo.
Solta o peso.
Reconhece o caminho antigo
de volta ao espírito.
E quando a tristeza já não governa,
e a alegria já não embriaga,
resta outra coisa:
mais alta,
mais limpa,
mais quieta.
A luz.
Talvez seja isso
o fim de um ciclo.
Não o fim da vida,
mas o fim de doze vidas
tentando aprender
que a paz não é o contrário da dor.
É o lugar
onde a dor finalmente
perde o cargo.