Há amores tão imensos
que, às vezes, precisam parar um instante
não por falta de caminho,
mas por excesso de céu.
Não é despedida.
É o coração pedindo silêncio
para não transformar pressa em ruído,
nem intensidade em desordem.
Porque há sentimentos que chegam grandes demais
para caberem inteiros
na primeira estação.
Precisam respirar,
amadurecer por dentro,
aprender o peso bonito da permanência
e descobrir que voltar
também pode ser uma forma mais alta de ficar.
Então o amor se recolhe,
não para diminuir,
mas para voltar mais claro,
mais inteiro,
mais digno do infinito que prometeu sem dizer.
E quando retorna,
já não vem como fogo ansioso
querendo provar que arde.
Vem como brasa sábia,
calor que não precisa gritar,
presença que não pede licença,
certeza que entra devagar
e muda a casa para sempre.
Porque certos amores
não terminam na pausa.
Apenas se afastam o suficiente
para aprenderem a voltar
mais intensos,
mais imensos,
mais maduros
e, enfim, definitivos.