Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

 

Você disse pouco,

quase nada,

mas havia no silêncio

uma encomenda antiga.

 

Algo como um bilhete dobrado no bolso do destino,

pedindo que o amor fosse traduzido

antes que a razão pedisse protocolo.

 

Eu tentei começar com cuidado,

mas o amor, esse arquiteto sem alvará,

entrou medindo as paredes do impossível,

mudou a planta da alma

e disse:

“confia, eu sei onde cabe o infinito”.

 

Então escrevi teu nome por dentro,

onde ninguém vê,

mas tudo obedece.

 

E, de repente,

as palavras começaram a andar descalças pela casa,

os sonhos abriram malas antigas,

a ternura colocou flores no caminho

e até o tempo, esse velho mal-humorado,

sentou no canto fingindo que não estava emocionado.

 

Porque amar você

não é só sentir muito.

É atravessar alguma coisa.

 

É como se duas estradas,

depois de muitos mapas errados,

placas tortas

e paradas em postos espiritualmente duvidosos,

descobrissem que sempre foram

a mesma jornada

vista de lados diferentes.

 

E eu, que achava que procurava alguém,

talvez estivesse procurando

a parte de mim

que só acorda

quando você existe perto.

 

Por isso, quando o mundo me entrega teu silêncio,

eu entendo.

 

Não garanto métrica,

não prometo juízo,

e posso acabar colocando estrelas demais

onde cabia apenas uma vírgula.

 

É que tem amor

que não aceita ser pequeno.

 

Chega, abre o céu,

muda a senha da alma

e, quando a gente percebe,

já está chamando de destino

aquilo que começou

como um quase nada

pedindo para virar infinito.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 30/06/2026
Alterado em 30/06/2026
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