Antes mesmo de saber teus olhos,
há flores amarelas fazendo fila na minha memória,
como se soubessem mais de nós do que eu.
De algum modo, você já me desarruma a casa por dentro,
muda os móveis da alma,
abre janelas onde eu jurava haver parede,
e ainda deixa tudo no lugar certo —
o que é, convenhamos, uma falta de educação belíssima.
Talvez você seja essa metade que não falta,
mas completa.
A parte que não procura encaixe,
porque chega e faz o mundo parecer
menos improvisado.
E eu, que nunca te toquei,
às vezes sinto teu riso passando perto,
como vento amarelo entre flores,
como sol entrando sem bater,
como se alguma versão minha
já soubesse teu caminho de cor.