Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

A Luz dos Íntegros

 

Há quem vença por um dia

com a língua afiada,

com a versão torcida,

com a sombra bem vestida

de falsa razão.

 

Há quem construa castelos

com o barro da fofoca,

levante tribunais de vento,

distribua sentenças apressadas

e chame de verdade

aquilo que nasceu da conveniência.

 

Mas a mentira, ainda que faça barulho,

tem pernas curtas

e alma cansada.

Corre muito no começo,

seduz os distraídos,

confunde os fracos,

encanta os que preferem o espetáculo

à consciência.

 

A verdade, não.

 

A verdade caminha devagar,

às vezes quase em silêncio,

como quem não precisa convencer o mundo

antes da hora.

Ela sabe que o tempo

é seu melhor advogado,

e que nenhuma máscara

resiste para sempre

ao peso da própria face.

 

Porque sem ética,

toda moral é teatro.

Sem integridade,

toda virtude é fantasia.

Sem honra,

até a palavra mais bonita

apodrece na boca

de quem a pronuncia.

 

Os grandes valores

não gritam nas esquinas.

Eles permanecem.

Moram nos gestos discretos,

na palavra cumprida,

na mão limpa,

no olhar que não precisa fugir,

na consciência que deita à noite

sem precisar negociar com a culpa.

 

Ser íntegro

nem sempre traz aplausos.

Às vezes traz solidão,

incompreensão,

caminhos mais longos,

portas mais estreitas.

Mas há uma dignidade secreta

em quem não se vende,

não se curva à maldade,

não troca a alma

por uma vitória passageira.

 

Que os fofoqueiros falem.

Que os manipuladores inventem.

Que os distorcedores de versões

montem seus pequenos impérios

sobre mesas frágeis.

 

Eles prevalecem apenas por instantes,

como fumaça diante do vento,

como sombra ao primeiro sinal da manhã.

 

Segue.

 

Segue com a cabeça erguida,

com o coração limpo,

com a honra por abrigo

e a ética por direção.

 

Não te preocupes em vencer todos os ruídos.

Preocupa-te em não te tornares um deles.

 

Porque no fim,

quando o tempo separar

o ouro da poeira,

quando cada palavra encontrar

o peso que merece,

quando cada gesto voltar

ao seu verdadeiro dono,

 

a jornada reservará luz

aos que escolheram permanecer inteiros.

 

E então se verá,

sem alarde e sem vingança,

que a verdade não precisou correr.

 

Apenas esperou.

 

E prevaleceu.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 23/05/2026
Alterado em 23/05/2026
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