Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links
Textos

 

Há certezas que não chegam pela lógica.

Não se anunciam com argumentos,

não trazem documentos,

não pedem testemunhas.

 

Apenas ficam.

 

Instalam-se no centro do peito

com a serenidade das coisas antigas,

como se a alma reconhecesse

antes da razão

aquilo que a vida inteira procurou

sem saber chamar pelo nome.

 

Por alguma razão,

ele sabe.

 

Não como quem inventa um sonho

para fugir da própria solidão.

Não como quem confunde encanto

com destino,

nem beleza com promessa.

 

Sabe de um modo mais quieto,

mais profundo,

quase inevitável.

 

Como se aquele encontro

tivesse aberto uma janela

num quarto onde o ar

já não circulava havia tempo.

 

E, desde então,

algo nele começou a respirar diferente.

 

Não é apenas desejo,

embora o desejo exista

com sua chama honesta

e sua vontade de proximidade.

 

É mais.

 

É cuidado antes do toque.

É ternura antes da posse.

É uma vontade limpa

de ver a outra pessoa florescer,

mesmo nos dias em que o mundo

insistir em pesar sobre seus ombros.

 

É querer estar perto

não para ocupar espaço,

mas para oferecer abrigo.

Não para conduzir seus passos,

mas para caminhar ao lado.

Não para ensinar-lhe a viver,

mas para descobrir, junto dela,

que viver ainda pode ser maior

do que apenas passar pelos dias.

 

Porque há pessoas

que não entram na vida

como acontecimento.

 

Entram como despertar.

 

E, de repente,

o futuro deixa de ser apenas calendário.

A manhã deixa de ser repetição.

O silêncio deixa de ser vazio.

Até o coração, esse velho sobrevivente,

começa a bater

como se tivesse encontrado

uma razão nova

para permanecer jovem por dentro.

 

Talvez seja isso

reconhecer a pessoa certa:

 

não ter todas as respostas,

mas sentir que a vida, perto dela,

faz uma pergunta melhor.

 

Não desejar prender,

mas cuidar.

Não querer vencer,

mas merecer.

Não prometer mundos impossíveis,

mas abrir espaço

para que o amor possa fluir

sem medo, sem pressa, sem máscara.

 

Ele sabe

que amar assim

não é apenas querer alguém.

 

É querer tornar-se melhor

para não ferir o que se ama.

É transformar intensidade em delicadeza,

vontade em presença,

sonho em gesto,

espera em respeito.

 

E se um dia esse amor encontrar caminho,

que não seja como tempestade

arrastando tudo.

 

Que seja como rio.

 

Firme, constante, profundo,

seguindo seu curso natural

até que dois destinos,

sem perderem sua própria margem,

descubram que podem correr juntos.

 

Porque, por alguma razão,

ele sabe.

 

Há pessoas que a gente encontra

e admira.

 

Há pessoas que a gente encontra

e deseja.

 

Mas há uma pessoa,

talvez uma só,

que quando aparece

faz a vida inteira parecer ensaio

para o instante

em que finalmente se começa

a viver de verdade.

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 21/05/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Capa Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Contato Links