Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Pedras do Caminho

 

Vaidade é espelho torto:

devolve um santo, esconde o humano.

Arrogância é capa emprestada:

faz peso, não faz alma.

 

Trocamos passos por poses,

aplausos por algemas de veludo,

e chamamos “destino”

a coleira de ouro do “parecer”.

 

Mas ninguém vive com pulmões alheios.

Cada um respira o próprio fôlego

e sangra o próprio aprendizado.

Comparar-se é negar a raridade do próprio rosto.

 

“Existir não é opcional.”

Pois então existo, inteiro,

com minhas falhas à luz do meio-dia,

sem tirar nem pôr brilho de ninguém.

 

Largo as duas pedras, vaidade e arrogância   e a estrada, antes estreita, se alarga.

Caminho sem máscara,

descubro que o chão devolve

o passo de quem pisa com verdade.

 

Felicidade não mora na vitrine:

cresce no canteiro do hábito,

rega-se com silêncio,

colhe-se em trabalho íntimo.

 

Que eu saiba ser só eu,

sem pedir licença ao aplauso;

que eu vença sem plateia,

e ame sem palco.

 

Quando o caminho entope,

não culpo o mapa 

esvazio os bolsos,

deixo as pedras no acostamento,

e sigo.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 11/05/2026
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