Não trago um amor de vitrine,
bonito demais para tocar a vida.
Trago um amor de presença,
mãos abertas,
coração disposto,
vontade limpa
de ficar.
Quero amar sem prender,
desejar sem diminuir,
chegar perto
sem ocupar todo o teu espaço.
Quero ser companhia
quando a vida canta,
mas também quando desafina;
quando o dia é leve,
mas também quando o silêncio pesa.
Quero dividir o pão,
a manhã,
o riso,
o cansaço,
a coragem
e essa parte difícil da existência
que só fica mais humana
quando alguém permanece.
Não prometo perfeição.
Prometo presença.
Prometo cuidado nos detalhes,
verdade no lugar do teatro,
paciência quando o mundo apertar,
e mãos dadas
quando a noite parecer maior
do que nós.
Quero um amor
que não precise gritar
para ser imenso.
Um amor antigo no fundamento,
futuro na coragem,
feito de desejo, respeito, humor,
companheirismo
e essa teimosia bonita
de proteger o que é raro.
Se um dia teu coração
quiser pousar perto do meu,
que encontre isto:
não uma prisão dourada,
não uma paixão apressada,
não um sonho frágil
vestido de destino.
Mas um amor inteiro,
de pé,
respirando fundo,
com as mãos abertas
e a alma pronta.
Um amor que não veio apenas
para te querer.
Veio para te acompanhar.