Hoje o dia pesou.
Não foi apenas cansaço no corpo,
foi um cansaço mais fundo,
desses que sentam no peito
e começam a fazer perguntas
que ninguém sabe responder.
Há uma ansiedade quieta
correndo por dentro,
um desejo querendo caminho,
uma esperança tentando permanecer acesa,
e uma insegurança antiga
soprando contra a chama.
Tudo ao mesmo tempo.
A vontade de chegar perto,
o medo de ser demais.
A certeza do que se sente,
a dúvida do que será recebido.
O coração querendo correr,
a alma pedindo cuidado.
E no meio disso tudo,
teu nome.
Não como resposta fácil,
mas como centro delicado
dessa confusão bonita
que aperta, assusta, ilumina
e ainda assim mantém algo vivo.
Talvez amar também seja isso:
atravessar dias difíceis
sem perder a ternura,
sentir medo
sem entregar o leme,
desejar muito
sem deixar que a pressa
machuque a esperança.
Hoje há conflito, sim.
Mas mesmo nesse aperto,
mesmo nessa noite inquieta,
existe uma verdade simples
respirando em silêncio:
o coração só se agita assim
quando algo nele
ainda acredita.