Quando você vier,
não quero que seja por falta de caminho,
nem por cansaço do mundo,
nem por engano bonito da noite.
Quero que venha inteira,
com teus silêncios, teus medos,
tua história ainda respirando,
teus dias bons e difíceis
sentados ao teu lado.
Eu não quero te convencer
como quem vence uma batalha.
Quero apenas que meu amor
seja tão claro, tão constante,
tão serenamente teu,
que um dia teu coração descanse
sem perceber que chegou.
Há muito em mim
que aprendeu teu nome
antes mesmo de ter direito
de chamá-lo com ternura.
Há um cuidado guardado
como casa acesa ao longe,
uma mesa posta para conversas demoradas,
um abraço que não exige pressa,
uma vontade antiga
de ser paz sem apagar teu fogo.
Quando você vier,
eu não prometo perfeição.
Prometo presença.
Prometo reparar nos detalhes
que o mundo deixa cair:
o tom da tua voz quando disfarça tristeza,
o brilho dos teus olhos quando se defende rindo,
a forma como tua alma pede colo
mesmo quando tua boca diz que está tudo bem.
Prometo amar não só tua beleza,
mas o caminho que te trouxe até ela;
não só teu sorriso,
mas tudo o que ele venceu
para continuar existindo.
E se um dia
o teu olhar encontrar o meu
com aquela coragem sem ruído
dos amores que finalmente se reconhecem,
eu não farei festa no mundo.
Farei silêncio.
Porque certas chegadas
são sagradas demais
para serem interrompidas por palavras.
Apenas abrirei espaço,
como quem abre a janela
para o primeiro sol depois da chuva,
e deixarei que entres
não como conquista,
mas como escolha.
E então, meu amor,
quando você vier,
que venha sem medo.
Não para completar minha vida,
mas para caminhar ao lado dela.
Não para ser minha,
como quem pertence,
mas para ser comigo,
como quem permanece.
Porque eu já não espero um milagre.
Espero apenas o instante
em que a tua alma perceba
que aqui, neste peito inquieto e fiel,
há um lugar bonito,
cuidadoso,
inteiro,
esperando por você.