Sinto teu amor
como quem reconhece o próprio nome
dito em voz baixa.
Ele entra em mim sem ruído,
como luz atravessando cortinas finas,
tocando tudo
sem ferir nada.
Há em ti um chamado
que não pede pressa,
apenas presença.
Algo que se espalha
e me ensina novos ritmos,
como se meu corpo aprendesse,
finalmente,
a confiar no tempo.
Teu afeto me envolve
por dentro,
mistura-se ao que sou
até que não há resistência
apenas entrega serena,
dessas que não se explicam,
apenas acontecem.
Quero ficar nesse sabor
que não se esgota,
nesse calor que não queima,
nessa doçura que se revela
aos poucos,
quando dois silêncios
decidem se escutar.
E se um dia eu repousar em ti,
não será fuga nem abrigo provisório.
Será escolha.
Porque em teu amor
meu coração não acelera
ele descansa,
sorri,
e aprende a chamar de lar
o lugar onde é amado.