Há momentos em que sinto teu amor
sem que nada aconteça.
Nenhum gesto, nenhuma palavra,
apenas essa presença suave
que se acomoda em mim
como se sempre tivesse estado ali.
Não é urgência.
É intimidade.
Essa forma rara de estar junto
mesmo quando estamos sós,
como se o pensamento soubesse
exatamente onde repousar.
Teu amor me alcança
nos intervalos do dia,
quando o mundo baixa o volume
e eu me escuto melhor.
Ele não pede espaço
ele cria espaço
em mim.
Há algo teu que se mistura ao meu ritmo,
que muda o modo como respiro,
como olho,
como espero.
E, sem perceber,
passo a guardar teu nome
não na boca,
mas no silêncio.
Se eu me aproximo,
é porque reconheço.
Porque teu afeto não me toma —
ele me acolhe.
E nisso há uma ternura tão funda
que o coração, cansado de vagar,
entende que pode ficar.
Talvez seja isso o amor
quando amadurece:
não o fogo que consome,
mas o calor que permanece.
E, se me deixo estar em ti,
é porque em teu sentir
eu não me perco
eu me encontro