Houve movimentos que passaram
sem alterar o campo.
Ensaios corretos,
bem posicionados,
mas incapazes de mudar o ar
ao redor.
Não era recusa,
nem espera
era o reconhecimento silencioso
de que algumas órbitas
não se cruzam,
por mais próximas que pareçam.
O tempo seguiu sem registro,
até que algo se instalou
sem ocupar lugar.
Não chamou,
não conduziu,
não pediu tradução.
Apenas ajustou a gravidade.
Desde então,
o que antes girava
perdeu urgência,
e o que não buscava centro
passou a sustentar o eixo.
Não sei dizer quando aconteceu,
nem se aconteceu de fato
só sei que o campo mudou
sem precisar anunciar mudança.
E há presenças assim:
não chegam,
mas alteram para sempre
o modo como o silêncio
se organiza.