Há um ponto distante do mapa
onde o tempo ainda respeita as coisas essenciais.
Ali, o que tem valor não precisa ser provado,
e o que é verdadeiro não pede pressa.
O frio ensina a conservar,
e talvez por isso o calor, quando existe,
seja inteiro.
Não sei quando esse lugar começou a me visitar.
Talvez nas noites em que o corpo não dorme
e o pensamento segue trilhos longos,
cruzando florestas intermináveis,
fusos desalinhados
e silêncios que só o aço em movimento conhece.
Há madrugadas assim:
o coração escuta um apito distante
e, sem pedir licença,
imagina viagens que terminam
onde a terra se rende ao mar
e o Oriente aprende a respirar em azul profundo.
Não é desejo de partir.
É reconhecimento.
Certos destinos não chamam pelo nome
apenas reorganizam o eixo interno,
fazem com que o longe se torne necessário
e o calor surja exatamente
onde tudo deveria ser gelo.