Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Sob o disfarce da calma

 

Beijo teu rastro com os olhos,

e o mundo parece tirar o chapéu quando chegas;

minha vontade aprende passos antigos

só de ver o teu vestido conversando com o vento.

 

Escondo teu nome no forro do peito,

onde a moral não alcança nem a noite escuta;

sou contrabandista do teu brilho 

passo fronteiras com teu perfume nos bolsos.

 

Te vejo linda, charmosa, elegante,

e algo primevo me chama pelo verdadeiro nome;

há um lobo de gravata sob minha calma,

domado apenas pelo risco da tua boca.

 

Ardes em mim como altar aceso,

incendeias meus mapas, corriges minhas rotas;

se me tocas com a ideia, viro incêndio disciplinado,

rezando ao teu corpo sem ajoelhar a carne.

 

Não conto a ninguém: segredo é lâmina polida.

Escrevo em silêncio para não ferir o milagre;

se o mundo pergunta, sorrio e minto com elegância

teu sim imaginado vale mais que seus julgamentos.

 

Intacto por fora, por dentro sou febre,

um cavalo em praça pública aprendendo a dançar devagar;

meu desejo, quase obsceno, fala baixo,

mas cada sílaba tua faz dele uma cidade em chamas.

 

Amo-te alto e calado:

lenha que não denuncia, voto que não vacila.

Se vires meus olhos, saberás:

guardo-te inteira no lugar onde a pele pensa.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 29/12/2025
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