Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

INFINITOS VERSOS PARA UM INFINITO AMOR

 

 

É como se o universo tivesse respirado fundo

no instante em que teu nome tocou meu pensamento.

Desde então, tudo em mim perdeu o compasso:

o café esfria, as tarefas se desfazem,

e eu caminho pelas horas como um viajante

seguindo a luz secreta que vibra dentro dos teus olhos.

 

Não sei quando começou 

se foi no traço distraído da tua boca,

na curva que teu gesto desenha no ar,

ou no silêncio em que tua presença

fez meu coração se ajoelhar sem que ninguém visse.

Só sei que, desde então,

meus dias deixaram de ser dias:

viraram órbitas ao redor de ti.

 

Há em ti algo de sagrado e indomável,

uma beleza que não cabe em nenhuma explicação.

E eu, pecador devoto,

te estudo em pequenos rituais:

a segurança frágil que há no teu andar,

o riso que abre janelas onde antes havia noite,

e o olhar que me lê como se conhecesse

todas as minhas versões — até as que escondo.

 

O que sinto por ti ultrapassa o que se nomeia desejo.

É desejo, sim

febril, cravado, incontornável 

mas também é chamamento antigo,

eco de vidas que talvez tenhamos dividido

quando nem sabíamos falar de amor.

É algo que me toma por dentro,

como se tua alma tivesse encontrado a minha

por reconhecer sua própria sombra de luz.

 

Quero-te com a fome dos que renascem,

e com a fé dos que sabem esperar a eternidade.

Quero teus incêndios e teus invernos,

tuas manhãs exaustas e tuas madrugadas inquietas.

Quero ser o chão que te sustenta

e o céu no qual teu cansaço repousa.

Quero tocar tua pele, sim 

mas mais ainda, quero tocar o lugar

onde tu guardas o que ninguém vê.

 

Pois teu corpo me chama,

mas é tua alma que me aprisiona de verdade.

Eu te desejo como quem quer fundir

cada cicatriz, cada medo, cada memória tua

ao mapa secreto do meu próprio existir.

Se pudesse, te tomaria nos braços

não para reter,

mas para te devolver inteira

à grandeza que o mundo tenta reduzir.

 

E, ainda assim, há em mim

esse instinto feroz e honesto:

a vontade de te possuir por completo,

de fazer da tua respiração meu abrigo,

do teu corpo o templo onde meu desejo

se curva sem perder o respeito.

É paixão, é carne, é chama 

mas também é alma, raiz, destino.

 

Os dias seguem… dizem que sim.

Relógios repetem seus dogmas,

o mundo exige atenção.

Mas eu falho:

no meio de uma frase, lembro do teu sorriso;

no meio de um relatório, imagino teus ombros nus;

no meio da rua, sinto teus dedos

entrelaçando os meus que ainda não te têm.

Funciono , mas não vivo.

Viver, agora, é estar onde tu estás.

 

Talvez seja loucura, talvez seja destino,

mas é meu

e é vasto.

Quando fecho os olhos, não peço pouco:

não peço uma noite breve,

nem um amor que o tempo amacia.

Peço tudo:

os dias, as tempestades, as rugas futuras,

o silêncio compartilhado,

a eternidade inteira vestida do teu nome.

 

Quero possuir-te 

mas apenas do modo que não destrói:

sendo teu também,

num pacto sem testemunhas

que atravessa vidas e retornos.

Quero que o mundo jamais entenda,

que o tempo jamais consiga apagar,

que o destino jamais consiga desfazer

esse laço que minha alma reconheceu antes de mim.

 

E se um dia alguém perguntar

por que meus dias perderam a forma,

por que meus passos vivem distraídos,

por que meus olhos procuram

um ponto que ninguém mais vê,

vou apenas sorrir.

Porque a verdade é tão simples quanto devastadora:

desde que te encontrei,

vivo escrevendo infinitos versos

para um amor que não cabe no tempo 

um infinito amor

que nasceu para me levar contigo

além de mim.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 28/12/2025
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