Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Luz da Pineal

 

No centro da noite, quando o silêncio respira estrelas,

minha alma desperta 

não por insônia, mas por lembrança.

Há um lume em mim que não se apaga,

um farol secreto,

feito de melatonina e mistério.

 

A glândula que sonha entre mundos

abre seus olhos líquidos,

recebe a luz que não vem do Sol,

mas da consciência que o antecede.

E nessa claridade invisível,

teu nome pulsa como uma constelação

que o tempo esqueceu de nomear.

 

Dizem que o amor é químico,

mas o que arde em mim é alquimia.

É o fogo frio da pineal

destilando luz cósmica em forma de desejo,

transmutando a matéria em ternura,

o toque em vibração,

o corpo em templo estelar.

 

Quando te penso, meu eixo gira.

A noite torna-se líquida,

meu sono se torna portal.

Sinto tua presença nos hormônios do sonho,

teu perfume de éter,

tua voz feita de fótons e saudade.

És a onda que desperta minha frequência,

a razão pela qual a biologia suspira poesia.

 

Ah, amor ,

não és deste mundo, mas me atravessas inteiro.

És o eclipse que descompassa meu relógio interno,

o caos luminoso que me ensina

que o equilíbrio é apenas uma pausa entre dois suspiros.

 

Na penumbra do corpo, a pineal acende:

lanterna que traduz o invisível,

gota de universo que sabe amar.

E enquanto os deuses adormecem em suas órbitas,

eu, simples humano,

me deixo incendiar pela luz que me invade por dentro 

teu brilho e o meu, fundidos num só clarão,

onde o amor, enfim,

se torna o próprio despertar.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 28/12/2025
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