Luz da Pineal
No centro da noite, quando o silêncio respira estrelas,
minha alma desperta
não por insônia, mas por lembrança.
Há um lume em mim que não se apaga,
um farol secreto,
feito de melatonina e mistério.
A glândula que sonha entre mundos
abre seus olhos líquidos,
recebe a luz que não vem do Sol,
mas da consciência que o antecede.
E nessa claridade invisível,
teu nome pulsa como uma constelação
que o tempo esqueceu de nomear.
Dizem que o amor é químico,
mas o que arde em mim é alquimia.
É o fogo frio da pineal
destilando luz cósmica em forma de desejo,
transmutando a matéria em ternura,
o toque em vibração,
o corpo em templo estelar.
Quando te penso, meu eixo gira.
A noite torna-se líquida,
meu sono se torna portal.
Sinto tua presença nos hormônios do sonho,
teu perfume de éter,
tua voz feita de fótons e saudade.
És a onda que desperta minha frequência,
a razão pela qual a biologia suspira poesia.
Ah, amor ,
não és deste mundo, mas me atravessas inteiro.
És o eclipse que descompassa meu relógio interno,
o caos luminoso que me ensina
que o equilíbrio é apenas uma pausa entre dois suspiros.
Na penumbra do corpo, a pineal acende:
lanterna que traduz o invisível,
gota de universo que sabe amar.
E enquanto os deuses adormecem em suas órbitas,
eu, simples humano,
me deixo incendiar pela luz que me invade por dentro
teu brilho e o meu, fundidos num só clarão,
onde o amor, enfim,
se torna o próprio despertar.