Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Inconfesso

 

Te vejo e calo.

Te desejo e finjo distração.

É dor que arde sem ferir,

é febre que ensina a respirar.

 

O mundo fala de acaso 

eu sei que é destino,

mas me disfarço de acaso também.

 

Nos sonhos, te tenho inteira,

nas horas, te perco em fragmentos.

E sigo 

com a alma em brasas

e o corpo imóvel,

carregando um amor que ninguém suspeita,

mas que incendeia o que resta de mim.

 

Tu sabes 

vejo no canto do teu sorriso,

no gesto que ajeita o cabelo.

Te envaidece minha chama;

aqueces as mãos e me deixas arder sozinho.

 

Respondes com elegância, atrasas com doçura,

colhes a oferta e guardas a distância.

Preferes o conforto do talvez,

o verniz das aparências,

ao risco do mergulho.

 

E eu, prisioneiro do teu silêncio

amo o impossível que em ti

se sabe possível.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 28/12/2025
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