Pausa...
não ausência, mas plenitude.
O instante em que o mundo suspende o passo
e tudo se recolhe para ouvir o coração.
É o intervalo entre o ser e o dizer,
onde o toque acontece sem mãos,
e o amor se revela sem urgência.
Nada precisa continuar,
porque, na pausa, tudo está completo
a vida, o desejo, o silêncio e o fogo.
É ali que o tempo se curva,
que a alma reconhece a alma,
e o infinito cabe num suspiro.
Depois, o mundo volta a girar,
os sons retornam,
mas algo permanece quieto e aceso:
a lembrança do instante em que,
por um breve respirar do eterno,
nossas almas fizeram amor.