Véu...
não o que esconde,
mas o que protege o mistério do instante,
onde o invisível toca o visível
sem precisar revelar-se.
Entre nós, o tempo desacelera,
as fronteiras se desfazem,
e a distância torna-se templo.
O amor acontece ali
onde os olhos fecham
para enxergar melhor.
O mundo silencia à volta,
porque o divino exige recolhimento.
Há um sopro leve no ar,
como se o próprio universo
suspendesse o fôlego
para não profanar o sagrado.
E quando o véu se abre,
não há corpo, nem palavra
apenas o pulsar de dois espíritos
recordando o que sempre foram:
um só respiro de eternidade,
um só brilho no coração da criação.