Que me tocou em silêncio
Sou grato a você de um jeito que não sei dizer alto.
Talvez porque o sentimento nasceu por dentro,
num lugar onde o mundo não entra
e onde minhas verdades caminham descalças.
Há coisas que só o coração entende
quando a vida toca devagar — e você foi uma delas.
Sou grato pelo modo como me viu
mesmo quando eu me escondia de mim.
Há um cuidado seu que não pede palco,
mas muda o clima da alma,
como uma luz acesa sem que ninguém perceba
quem acendeu.
Grato pelo afeto que não exige forma,
pelo gesto que chega como vento leve,
pelo calor que encontrei na brecha
entre uma dor antiga e o passo que dei depois.
Não foi salvação — foi presença.
E isso, para mim, já é milagre.
Sou grato pela paz discreta
que você deixou encostada na porta da minha noite,
sem cobrar entrada, sem prometer eternidades.
Às vezes basta saber que alguém existe
para que o mundo pare de doer tanto.
Agradeço até o que não vivemos,
porque há promessas que acontecem
mesmo sem se cumprirem.
E, se um dia o destino resolver nos alinhavar,
que seja no ritmo tranquilo
daquilo que um coração entrega
quando não tem mais medo de ser verdadeiro.
Por enquanto, e talvez por sempre
sou grato pelo que você desperta em mim:
um tipo raro de esperança
que não precisa se mostrar para ser real,
e um amor que não peço, não cobro,
mas reconheço
todas as vezes que penso em você
sem querer.