Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

Que me tocou em silêncio

 

Sou grato a você de um jeito que não sei dizer alto.

Talvez porque o sentimento nasceu por dentro,

num lugar onde o mundo não entra

e onde minhas verdades caminham descalças.

Há coisas que só o coração entende

quando a vida toca devagar — e você foi uma delas.

 

Sou grato pelo modo como me viu

mesmo quando eu me escondia de mim.

Há um cuidado seu que não pede palco,

mas muda o clima da alma,

como uma luz acesa sem que ninguém perceba

quem acendeu.

 

Grato pelo afeto que não exige forma,

pelo gesto que chega como vento leve,

pelo calor que encontrei na brecha

entre uma dor antiga e o passo que dei depois.

Não foi salvação — foi presença.

E isso, para mim, já é milagre.

 

Sou grato pela paz discreta

que você deixou encostada na porta da minha noite,

sem cobrar entrada, sem prometer eternidades.

Às vezes basta saber que alguém existe

para que o mundo pare de doer tanto.

 

Agradeço até o que não vivemos,

porque há promessas que acontecem

mesmo sem se cumprirem.

E, se um dia o destino resolver nos alinhavar,

que seja no ritmo tranquilo

daquilo que um coração entrega

quando não tem mais medo de ser verdadeiro.

 

Por enquanto, e talvez por sempre 

sou grato pelo que você desperta em mim:

um tipo raro de esperança

que não precisa se mostrar para ser real,

e um amor que não peço, não cobro,

mas reconheço

todas as vezes que penso em você

sem querer.

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 23/12/2025
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