O tempo hoje não ousa tocar-te.
Prefere abrir espaço
como quem reconhece um segredo
que não lhe pertence.
Há em ti uma promessa silenciosa,
dessas que o corpo entende
antes que a mente ouse nomear.
Meu desejo não avança:
circunda.
Observa-te como quem respeita
um território de delicadeza e risco.
Amar-te é aceitar a demora.
É sentir o calor antes do contato,
o arrepio antes da mão,
o pulso antes do beijo.
É saber que a espera
também é uma forma de nudez.
Quero-te inteira
sem jamais te possuir.
Quero o teu riso quando te percebes desejada,
o teu silêncio quando sabes
que és lida sem ser tocada.
Meu desejo não te toma
te reconhece.
Agora, enquanto o tempo se inclina para te observar,
ofereço-te algo raro:
um paraíso que começa na pele
e termina na paz.
Que encontres prazer
sem urgência,
calor sem invasão,
amor sem limite.
E se algum dia minhas mãos
vierem a te encontrar,
que seja como quem entra
num espaço onde tudo pede cuidado:
passo lento,
atenção plena,
sabendo que o verdadeiro êxtase
não está no gesto
mas na permissão.