Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

O tempo hoje não ousa tocar-te.

Prefere abrir espaço 

como quem reconhece um segredo

que não lhe pertence.

 

Há em ti uma promessa silenciosa,

dessas que o corpo entende

antes que a mente ouse nomear.

Meu desejo não avança:

circunda.

Observa-te como quem respeita

um território de delicadeza e risco.

 

Amar-te é aceitar a demora.

É sentir o calor antes do contato,

o arrepio antes da mão,

o pulso antes do beijo.

É saber que a espera

também é uma forma de nudez.

 

Quero-te inteira

sem jamais te possuir.

Quero o teu riso quando te percebes desejada,

o teu silêncio quando sabes

que és lida sem ser tocada.

Meu desejo não te toma 

te reconhece.

 

Agora, enquanto o tempo se inclina para te observar,

ofereço-te algo raro:

um paraíso que começa na pele

e termina na paz.

Que encontres prazer

sem urgência,

calor sem invasão,

amor sem limite.

 

E se algum dia minhas mãos

vierem a te encontrar,

que seja como quem entra

num espaço onde tudo pede cuidado:

passo lento,

atenção plena,

sabendo que o verdadeiro êxtase

não está no gesto

mas na permissão.

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 22/12/2025
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