Há um instante em que a vida inclina o corpo
para um rumo que ninguém vê
e eu sinto essa dobra secreta
chamando meu nome no escuro.
O que um dia foi porto agora pesa,
não por falta de amor,
mas porque o tempo deixou de caber ali.
E enquanto tento permanecer,
meu próprio silêncio se move para outro lugar.
É quase nada, um brilho recém-nascido,
um gesto que mal existe,
mas que gira meu mundo como se já me conhecesse.
Não sei se é começo, perigo ou presságio,
mas arde como coisa inevitável.
Dizem que fugir é mais fácil.
Talvez.
Mas quando dou o primeiro passo,
sinto que não fujo de nada
apenas sigo o contorno de um chamado
que tem o teu perfume,
mesmo que eu ainda não possa pronunciá-lo.