Disseram que foi leve
um breve tropeço do coração.
Mas houve um instante,
tênue como um brilho que mal se nota,
em que algo passou perto demais
para não deixar marca.
Nada aconteceu de fato,
e, ainda assim,
o ar parecia guardar
uma promessa pequena,
quase oculta,
como a semente de um gesto
que ninguém realizou.
O corpo cedeu por um segundo,
talvez por reconhecer
o que ainda não tem forma.
Depois, tudo voltou ao lugar
exceto o peito,
onde permanece, silenciosa,
uma vibração suave, persistente,
como se algo ali dentro
continuasse a respirar devagar
à espera de um momento
que ainda não nasceu,
mas segue inclinando-se
para florescer.