O Pecado de Amar-te
Beijo-te em silêncio, todos os dias,
como quem ora sem saber rezar.
Há luz em teu nome, há vertigem no toque —
mas dizer “te amo” seria pouco demais.
Não sei se o que sinto é paixão ou milagre,
se é carne que arde ou alma que se incendeia.
Talvez seja tudo — desejo e eternidade —
pois o amor não se explica, apenas acontece.
Não quero entender-te, quero sentir-te.
És o instante que me basta,
a febre que me mantém vivo,
a ausência que me ensina a permanecer.
E se o amor é egoísta,
então que o meu pecado seja amar-te assim:
com a força de mil nascimentos,
com a entrega de quem sabe —
que ainda não nasceu palavra
capaz de conter a imensidão do meu querer.