Gestos que Alimentam
O amor se revela nos gestos pequenos,
na rotina, no simples, no cotidiano.
Não precisa de promessas nem de versos —
basta um cuidado discreto, humano.
É o café já pronto ao amanhecer,
o cobertor que alguém ajeitou por querer,
a toalha dobrada, o olhar que entende,
o silêncio que acolhe e não ofende.
É o toque leve que diz “estou aqui”,
sem exigir, sem pedir, só sentir.
É o tempo dividido, o espaço partilhado,
a ternura que se refaz no hábito.
O amor não pede grandiosidade,
vive do gesto que brota da bondade.
É pão repartido, é luz que acalma,
é alimento diário da alma.
E quem o cultiva com doçura e fé
descobre que o amor verdadeiro
não é o que fala mais alto —
é o que cuida em segredo.