Purificação
Na natureza, a verdade não grita
sussurra em leis antigas e precisas.
A chuva desce lavando culpas,
o sol ergue-se e as esteriliza.
Há um rito secreto entre nuvens e clarões:
um ciclo que renova e disciplina.
Mas o homem, distraído em suas ilusões,
esquece que também precisa da rotina divina.
Pois chegou a hora
de pôr sua alma ao sol,
de expor a podridão escondida,
de deixar que o tempo, feito aurora,
clareie a sombra da própria vida.
Assim, entre lágrimas e luz,
ele se cura
não por milagre,
mas por coragem de se lavar por dentro,
até que o amor seja sua única impureza.