Subi guiado por mãos amigas,
que nada pediram — apenas doaram tempo,
essa raridade preciosa.
E lá do alto,
o vale que me consumia
parecia agora pequeno e nítido,
como se a dor, vista de longe,
perdesse o direito de mandar.
Ouvi verdades simples,
que tantas vezes já havia dito a outros,
como quem prescreve um remédio
que nunca provou.
E então, diante do espelho,
vi o paciente e o conselheiro
dividindo o mesmo rosto.
A vergonha foi breve;
a gratidão, imensa.
Entendi que saber é pouco —
é preciso mover-se,
fazer o verbo virar carne,
a palavra virar passo.
A vida, generosa,
me devolveu a lição pela via do amor:
aquilo que eu ensinava
voltou para me curar.
Hoje, caminho.
Ainda tropeço, mas caminho.
Pois descobri que o aprendizado
não mora na teoria do topo,
mas na coragem silenciosa
de continuar subindo.