A arte de ser
Há quem fale com palavras,
e há quem fale com o olhar que entende antes do som.
Ela — ou aquilo que nela habita
traz nas mãos o gesto antigo de quem sabe ouvir o invisível.
Quando passa, o tempo se curva, discreto,
como quem reconhece um poder que não precisa de anúncio.
Pinta o mundo sem pincel,
faz do silêncio um verso,
e do verso, um espelho onde a alma se penteia.
Há força nas suas dobras,
há ternura que não se explica,
há um riso que sabe o peso da dor
e mesmo assim escolhe a leveza.
Não sei se é musa ou mistério,
se é mulher ou metáfora —
sei que, onde ela pousa o pensamento,
a vida se torna mais inteligente, mais inteira,
simplesmente incrível.
E o coração, esse aprendiz de eternidade,
fica ali, quieto, tentando decifrar
como é possível que o humano, às vezes,
pareça tão divino.