O Cansaço de Quase Amar
Cansa amar pela metade —
ou melhor, quase amar.
Cansa o gesto que começa inteiro
e morre na dúvida do outro.
Ofereço presença,
e recebo promessas que não pousam.
Semeio afeto,
e colho ausências explicadas por traumas.
Dizem querer amor verdadeiro,
mas quando o amor chega — simples, sem máscaras —
sentem medo.
Querem o calor, mas fogem do fogo.
Querem o toque, mas temem o espelho.
E eu, que não sei amar em parcelas,
fico nesse intervalo entre o querer e o não se permitir.
Ensino a amar, e pior,
ensino a se amar —
como quem desperta outro de um sono antigo,
sabendo que ao abrir os olhos
talvez ele já não me veja.
Há solidão nisso,
essa de dar o melhor e ficar com o silêncio.
Mas há também aprendizado:
o de guardar o próprio amor,
como se fosse um templo
onde só entra quem vem descalço de medo.
Então descanso,
não por desistência,
mas por ternura de mim.
Porque um dia alguém virá
não para quase amar,
mas para amar — inteiro, leve,
como se o amor nunca tivesse doído.