Entre Palavras e Silêncios
Conheço-te pelas margens do verbo,
onde a voz não chega, mas a alma escuta.
Tuas palavras me visitam devagar,
como quem pisa descalço no coração de um poema.
Somos fragmentos de luz trocados no escuro,
ecos de intenções que o tempo ainda não tocou.
Há algo de mágico em te pressentir —
como se o mundo guardasse perfumes,
e o silêncio, temperatura.
Te encontro nas pausas,
nas vírgulas que hesitam entre o real e o sonho,
no brilho que se insinua
por trás de cada palavra bem dita.
Não sei teu cheiro,
mas reconheço tua presença quando o instante sorri.
Não toquei tua pele,
mas ela parece morar nas entrelinhas do ar.
Talvez um dia o acaso decida nos traduzir,
mas por ora, basta esse idioma sem nome —
onde o sentir fala primeiro,
e o resto… apenas acontece.