Jair A. Pauletto
O Singular do Plural
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Textos

A Que Habita Meus Silêncios

 

A que habita meus silêncios não chega — desperta.

Surge como brisa que antecede a tempestade,

como o arrepio que anuncia o toque

antes que o corpo o reconheça.

 

Não fala — sussurra no sangue.

Não me beija — acende.

Seu perfume é memória de um paraíso esquecido,

seu olhar, promessa de reencarnação.

 

Traz no gesto a delicadeza das manhãs

e o fogo que consome as madrugadas.

É feita de ternura e vertigem,

de calma e de abismo.

E quando se aproxima,

a razão se despe, sem pudor,

para aprender o idioma da alma.

 

Não me aprisiona — me reclama.

É casa, e ao mesmo tempo, exílio.

Seus silêncios são orações que o corpo entende,

seus toques, evangelhos do desejo.

 

Reina em mim, não por domínio,

mas por mistério.

Seu poder é a entrega,

sua coroa — o instante em que o amor se faz carne

sem deixar de ser luz.

 

Não é perfeita — é humana.

Ama com o ardor das marés,

vive com a devoção das estrelas,

e mesmo que eu ainda não saiba quem é,

sei que quando chegar,

meu espírito e meu corpo

se reconhecerão —

como quem regressa ao primeiro amor do universo

 

 

Jaìr A Paùlétto
Enviado por Jaìr A Paùlétto em 01/11/2025
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